“TENDE PIEDADE DA SERRA”

INTERESSES CAPITALISTA FOMENTANDO A GUERRA ENTRE IGREJA, AMBIENTALISTAS E GOVERNO

COM A PALAVRA O COLUNISTA

Deus, ou como você queira chamar, o Criador do universo e de todas as criaturas, não deu títulos de posse de terras a NINGUÉM, muito menos á arquidiocese de Belo Horizonte ou a mineradoras.

Aqueles que se auto conclamam representantes do Criador, parecem demonstrar mais carinho pelo vil metal do que pelas obras do Mestre. Uma guerra insana onde nas entrelinhas de discursos, publicações e ações, muito mais se vê cifrões que corações.

“Dizimadas” ao longo dos séculos pela “igreja”, “roubada” pelos “governos”, a população se vê agora escravizada e forçada a opinar de maneira automutilante concordando com mineradoras irresponsáveis e assassinas da flora, fauna e humana!

A população precisa comer! Gritam em defesa dos empregos nas mineradoras. Não discordo, mas retruco: e beber?

O cenário criminoso que enxergo mostra governos e igrejas segurando o cidadão para algumas mineradoras matarem.

Morreremos no presente ou no futuro, como outros já morreram no passado!

Vascão do pastel


Arquidiocese de BH tenta barrar preservação da Serra da Piedade

Criação de parque em área de 717 hectares protegeria manancial responsável por abastecimento de 80% dos moradores de Caeté; população é favorável

Lucas Pavanelli, do R7

A criação de um parque para proteger uma área verde na Serra da Piedade, onde estão localizadas as nascentes dos rios que abastecem a cidade mineira de Caeté, na Grande BH, está ameaçada por pressão da Arquidiocese de Belo Horizonte.

A entidade, responsável pelo Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, na Serra da Piedade, pediu ao MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) que suspenda a tramitação do projeto de revisão do Plano Diretor da cidade de Caeté, o que inclui a criação do Parque Municipal Águas do Descoberto.

O documento está em fase final de elaboração e deve ser encaminhado à Câmara Municipal dentro de algumas semanas. Por meio da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo, o MPMG abriu um procedimento em 31 de janeiro e deve se manifestar sobre o assunto em breve.

O projeto prevê a desapropriação de uma área de 717 hectares, de propriedade da Arquidiocese, para a criação da unidade de conservação. Dentro de seus limites estarão as nascentes que formam duas pequenas bacias hidrográficas — Dantas e Descoberto — responsáveis pelo abastecimento de 80% da cidade de cerca de 45 mil habitantes.

O imbróglio gira em torno da revisão do PD (Plano Diretor) da cidade. O primeiro, foi aprovado em 2007 e, dez anos depois, a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) ganhou uma licitação para revisar os PDs de Caeté e de outros dez municípios da região metropolitana.

O projeto foi entregue em 2018 e recebeu críticas da Arquidiocese e de um grupo de empresários porque previa que toda a área da Serra da Piedade deveria ser enquadrada no regime de ZP1 (Zona de Proteção). Na prática, essa classificação garante a preservação ambiental de todo o espaço e impede a expansão da área construída próxima ao Santuário.

A Arquidiocese tem planos, por exemplo, para expandir um estacionamento para peregrinos, além da construção de uma linha de trem e um teleférico. O local recebe, por ano, 500 mil fieis.

A partir do questionamento da Arquidiocese, a Prefeitura de Caeté iniciou em 2018, a revisão do projeto da UFMG e decidiu criar uma ZDE (Zona de Diretrizes Especiais) exclusiva para a área da Serra da Piedade, reduzindo o tamanho das áreas de proteção no local.

Após dois anos de discussão com a sociedade civil e a própria Arquidiocese, a prefeitura flexibilizou algumas áreas a pedido da entidade religiosa, mas manteve a criação do Parque, como explica o superintendente da SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) de Caeté, Renê Renault, que esteve à frente da revisão do projeto.

— A Mitra Arquidiocesana pediu que fosse criada uma Zona Especial na área dela como um todo. A gente entendeu que cabia, em parte. Mas no que é o pedido dela para adentrar em uma bacia hidrográfica de fundamental importância para o município, isso não seria permitido e criaríamos um parque de proteção ambiental.

ArteR7 Risco de desabastecimento

Renault alerta que a preservação da área onde será criado o Parque Municipal Águas do Descoberto é fundamental para a segurança hídrica de mais de 30 mil moradores do município de Caeté. As águas das pequenas bacias hidrográficas de Descoberto e Dantas são de boa qualidade e o fato de as nascentes estarem localizadas a cerca de 1.700 metros de altitude, torna o acesso a ela mais barato para a população.

— Essa região é extremamente sensível aos impactos sobre ela e a água custa menos à população de Caeté. O tratamento é mais barato e não é preciso gastar com energia para bombear a água até a cidade.

Anulação

Em um pedido protocolado no Ministério Público em 12 de dezembro do ano passado, a Arquidiocese pede que o município de Caeté “suspenda imediatamente os procedimentos de revisão do Plano Diretor e da criação da unidade de conservação pretendida”.

A Igreja também questiona a legalidade do processo nos últimos dois anos, desde que a UFMG entregou o projeto, por falta de participação popular. Durante a construção da proposta assinada pela universidade, foram realizadas, entre novembro de 2016 e fevereiro de 2018, seis audiências e encontros com convocação da população, além de reuniões comunitárias. A Arquidiocese esteve presente nas duas últimas.

Após essa fase, já durante a revisão do Plano Diretor,  foram 11 encontros, os quais representantes da entidade estiveram presentes em todos.

Ao Ministério Público, a Prefeitura de Caeté criticou o posicionamento da Arquidiocese e disse que ela luta contra a criação da unidade de conservação ambiental e pede o arquivamento da reclamação.

“Parecem desconhecer (ou sequer se importam) o grande problema da baixa disponibilidade hídrica no território municipal para captação de água que aflige toda a cidade”, diz o texto encaminhado ao MP.

Resposta

Em nota, a Arquidiocese de Belo Horizonte disse que preserva a Serra da Piedade há 250 anos e é favorável à criação de áreas de preservação, no entanto acredita que a criação do parque não vai garantir a preservação da área.

“A instituição do parque, além de gerar custos para o poder público – consequentemente, para a população -, não garantirá a preservação da área, pois o território da Serra da Piedade continua sofrendo impactos da mineração e da expansão urbana”, diz trecho da nota.

Ainda segundo a Arquidiocese, o parque não deve estar contemplado no Plano Diretor de Caeté. “A instituição do parque e a elaboração do Plano Diretor devem obedecer etapas e critérios específicos. A coordenação do Plano Diretor não concordou com esse entendimento”

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