NOVO DINOSSAURO BRASILEIRO

DEPOIS DE UMA PESQUISA DA UFPE QUE LEVOU DOZE ANOS

Identificação do Lagarto nascido do fogo do Museu Nacional foi publicada na Scientific Reports, uma revista científica internacional, este mês.

O Centro Acadêmico de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, ligado à Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) identificou oficialmente o novo dinossauro com publicação em 10 de julho deste ano, na Scientific Reports, uma revista científica internacional.

O nome do artigo é “The first theropod dinosaur (Coelurosauria, Theropoda) from the base of the Romualdo Formation (Albian), Araripe Basin, Northeast Brazil”, e conta com autoria conjunta de pesquisadores brasileiros e chineses.

Chamado de Aratasaurus museunacionali, ou lagarto nascido do fogo do Museu Nacional, o animal tinha pouco mais de três metros de comprimento e até 35 quilos.

Segundo a descrição, ele era carnívoro e “estava em fase de crescimento, sendo um jovem que poderia alcançar dimensões maiores quando adulto”.

O grupo que identificou o dinossauro foi comandado pela professora Juliana Sayão, hoje docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Também participaram das análises especialistas da Universidade Regional do Cariri, no Ceará, e do Museu Nacional.

De acordo com Sayão, ele deveria ser um predador ágil, que corria pelas margens de lagos à procura de alimento, possivelmente pequenos animais.

Para ela, também é provável que que o corpo fosse recoberto por estruturas filamentosas interpretadas como “protopenas”, assim como muitos outros celurossauros, um tipo de dinossauro que viveu no Brasil no período jurássico (entre 208 e 146 milhões de anos).

Ainda segundo a descrição, o lagarto apresenta características que os paleontologistas acreditavam ser restritas a áreas da América do Norte e China.

Assim os especialistas puderam concluir que “esse grupo de animais era mais diversificado e tinha uma distribuição mais ampla do que se supunha”.

A denominação, segundo os estudiosos, vem de “ara” e “atá”, que, no tupi, significam “nascido” e “fogo”, e “saurus” vem do grego e quer dizer “lagarto”.

O nome da espécie, museunacionali, é uma homenagem ao primeiro museu fundado no Brasil, em 1808, que foi atingido por um incêndio, em 2018. O exemplar do dinossauro, revelado agora, não foi afetado por estar em um laboratório anexo ao palácio, no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.

Histórico

Juliana Sayão contou que a pesquisa começou a partir de uma visita à região do Araripe, no Sertão Nordestino. Em 2008, ela levou um grupo de alunos do Centro Acadêmico de Vitória, em Pernambuco, para conhecer áreas onde fósseis são achados com frequência.

Em Santana do Cariri, no Ceará, durante visita a um museu, recebeu uma rocha com o que “poderia ser um fóssil de um dinossauro”.

“A pesquisa avançou, mas constatamos que não havia equipamentos para fazer algumas análises. Em 2016, levamos para o Museu Nacional, do Rio, para novos testes, que poderiam mostrar que era, de fato, uma nova espécie”, afirmou.

Em 2018, o museu foi atingido por um incêndio de grandes proporções e a pesquisadora, a princípio, achou que o material poderia ter sido destruído. “Ele estava em um anexo do museu e conseguimos encontrar. Agora, em 2020, finalizamos a pesquisa e publicamos”, comentou.

Fragmento

De acordo com a UFPE, o estudo de identificação partiu de um único fragmento, uma perna direita, encontrado em rochas que recebem o nome de Formação Romualdo, na região da Bacia do Araripe, área rica em fósseis que engloba Ceará, Pernambuco e Piauí.

A amostra é classificada no grupo dos celurossauros, que surgiram há cerca de 168 milhões de anos, no período Jurássico Médio, e englobam muitas formas de dinossauros, incluindo as aves recentes.

A pesquisa informou que os fósseis descobertos na região estudada estão preservados em nódulos calcários. A exceção é justamente o Aratasaurus, que foi encontrado em uma placa de folhelho (rocha escura composta por finas lâminas de sedimentos com grãos do tamanho dos de argila), procedente de uma camada situada na base da Formação Romualdo.

Isso indica alguns milhares de anos a mais do que a camada com os nódulos calcários. A formação dessas rochas é estimada entre 115 e 110 milhões de anos, um período geológico denominado de Cretáceo Inferior.

De acordo com Sayão, é o primeiro registro de dinossauro nessa parte da Formação Romualdo, o que abre a possibilidade para novos achados no futuro

VEJA A NOTICIA NO SITE G1

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s