“A ESPERANÇA ESTÁ MATANDO A GENTE”

Acaba prazo para entrega de Bento Rodrigues

MATÉRIA DE LARA ALVES | SIGA-NOS NO TWITTER @OTEMPO

“A esperança está matando a gente”, narra angustiado o ex-mestre de obras, José do Nascimento de Jesus, 75, sobre data-limite que não será cumprida pela terceira vez em Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo

Às primeiras horas da manhã de sábado (27), o ex-mestre de obras José do Nascimento de Jesus, 75, trancaria pela última vez as portas do apartamento alugado, em Mariana, na região Central de Minas Gerais, e prepararia-se para recomeçar no reassentamento de Bento Rodrigues a história interrompida em 5 de novembro de 2015 com o rompimento da barragem de Fundão.

O desejo, entretanto, não irá se realizar. A Fundação Renova – responsável pelas ações de reparação e compensação de estragos ligados à tragédia – não cumprirá pela terceira vez o prazo determinado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para entrega dos reassentamentos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo. Data-limite fixada após prorrogação no mês de agosto é hoje (sábado, 27), e, segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), instituição poderá receber uma sanção na cifra de R$ 1 milhão por cada dia de atraso. Entidade entrou com pedido de prorrogação na segunda instância, e julgamento é aguardado.

Incerteza e preocupação traduzidas em prescrições médicas para uso de remédios tornaram-se rotina para José – conhecido em Bento Rodrigues pela alcunha de “Zézinho do Bento”.

“Hoje, meu sonho é entrar na minha casa sabendo que é minha casa. Viver em apartamento é a pior coisa do mundo. Antes, eu tirava leite, produzia queijo, tinha mexerica no quintal… Era a vida de roça. Hoje, se quiser tomar um leite, tem que comprar. Se quiser uma couve, tem que comprar. Isso, para nós, é muito difícil”, detalha.

Quarenta entre os 75 anos do ex-mestre de obras transcorreram em Bento Rodrigues.

“A esperança está matando a gente. Nunca chega a hora da entrada. São cinco anos, caminhando para seis, e cinco casas prontas… A gente fica esperando, esperando, esperando, e nunca voltamos para o nosso lugar”, desabafa.

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COM A PALAVRA O COLUNISTA

VASCÃO DO PASTEL

Triste e revoltado de ter que afirmar para “Zézinho do Bento” que ele NUNCA mais voltará para o lugar deles!

O “lugar deles”, a “Bento Rodrigues” está enterrada debaixo de muita lama depois de covardemente assassinada junto com mais de 250 pessoas e uma imensidão de vida animal e vegetal. Num único crime monstruoso essa empresa vampiresca suprimiu da terra vidas humanas, fauna, flora, histórias e agora brinca com a esperança de suas vítimas. Tende piedades desses monstros Senhor, pois inferno, umbral, limo será muito pouco para que paguem o mal que sabem que estão fazendo.

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