FORAM ENCONTRADOS DEBAIXO DO GELO FÓSSEIS INTACTOS DE PLANTAS

Os fósseis sob o manto de gelo groenlandês são tão grandes e bem preservados que podem ser vistos a olho nu

Após uma realocação de núcleos de gelo para um subúrbio de Copenhague (Dinamarca), em 2017, pesquisadores da Universidade de Copenhague encontraram caixas fechadas com núcleos de gelo datadas de 1966 – os primeiros núcleos de gelo perfurados na Terra.

As análises do gelo há muito esquecido foram concluídas e são apresentadas em um novo estudo com resultados inovadores. O trabalho foi publicado na revista “PNAS”.

Groenlândia: segredos inimagináveis sob o manto de gelo. Crédito: Brocken Inaglory/Wikimedia Commons

Dentro dos núcleos, que vêm das profundezas do manto de gelo em Camp Century, Groenlândia, os pesquisadores da Universidade de Copenhague e seus colegas belgas e americanos se tornaram os primeiros a encontrar esses macrofósseis com milhões de anos.

Galhos e folhas inteiros

Os fósseis são grandes o suficiente para serem vistos sem um microscópio.

“Nós nos beliscamos sobre o tesouro que havíamos encontrado! Porque dentro dos núcleos, que em sua maioria se assemelham a cascalho compactado, pudemos identificar galhos e folhas inteiros, perfeitamente preservados após milhões de anos. Nunca havíamos encontrado nada assim, nem outros pesquisadores”, explicou a professora Dorthe Dahl-Jensen, do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhague.

“Análises completas de DNA são normalmente necessárias para identificar quais plantas e animais estão no gelo”, ela prosseguiu.

“Mas aqui, podemos ver as coisas imediatamente. O gelo foi perfurado em um local incrível onde havia obviamente plantas e galhos antes que o gelo cobrisse a Groenlândia.”

Perfuração do núcleo de gelo em Camp Century. Crédito: Lawrence Livermore National Laboratory

Detalhes do passado

Galhos e folhas revelam uma história rara e única sobre a vegetação da paisagem da Groenlândia como era há milhões de anos, quando o clima da Terra era mais quente e a maior ilha do mundo não era coberta por gelo.

“Entre as folhas, galhos e restos de plantas que encontramos estão hepáticas (Marchantiophyta) e um tipo de musgo lanoso. Nossas análises mostram que eles vêm da floresta boreal – as florestas de coníferas, bétulas e salgueiros comuns no Canadá e no Alasca. Essas plantas e árvores resistentes são tolerantes ao frio”, explicou Dorthe Dahl-Jensen.

Os núcleos de gelo também forneceram aos pesquisadores conhecimentos sobre as mudanças climáticas na Groenlândia que datam de vários milhões de anos. Esse conhecimento é útil para nos ajudar a perscrutar a bola de cristal e ver o clima do futuro.

“Depois de medirmos os isótopos de água no gelo, podemos confirmar descobertas anteriores de que o manto de gelo está intacto e cobriu a Groenlândia por cerca de 1 milhão de anos. Antes disso, havia períodos entre os mantos de gelo em que a Groenlândia ficava sem gelo. Esses resultados ilustram o quão incrível é o gelo e como ele pode suportar tanto – incluindo períodos de temperaturas mais altas como a que estamos agora”, explicou a professora de paleoclimatologia.

Forte influência

De acordo com ela, porém, o gelo será fortemente influenciado pelo aumento da temperatura que vários modelos climáticos preveem que ocorrerá nos próximos 100 anos.

“Se ocorrer o pior cenário, os mantos de gelo da Groenlândia e da Antártida começarão a derreter, o que pode fazer com que o nível do mar suba até 70 metros. No entanto, isso levará muito tempo, milhares de anos. Felizmente, ainda podemos fazer algo sobre isso e evitar essas grandes elevações do nível do mar – é uma questão de ação”, diz ela.

O próximo passo para trabalhar com os núcleos de gelo esquecidos do Camp Century é realizar análises de DNA do gelo e dos resíduos sedimentares. “Veremos se podemos encontrar vestígios de besouros, borboletas e outros insetos também”, concluiu a professora Dahl-Jensen

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