VEREADOR DE CAETÉ FAZ AFIRMAÇÃO HOMOFÓBICA

Corregedoria da Câmara de Caeté aponta homofobia em fala de vereador contra prefeito e classifica caso como ‘inaceitável’

O parlamentar Claudinei do Vale (Cidadania) disse que o prefeito Lucas Coelho (Avante) “sempre gostou da linguiça”, durante uma reunião da Câmara Municipal

Vereador de Caeté, Claudinei do Vale, proferiu falas homofóbicas contra o prefeito da cidade durante reunião da Câmara — Foto: Reprodução/ Câmara Municipal de Caeté

O vereador Claudinei do Vale (Cidadania), de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, usou a tribuna da Câmara Municipal para proferir falas consideradas homofóbicas pela Corregedoria da Casa contra o prefeito da cidade, Lucas Coelho (Avante), durante uma reunião ordinária realizada na última terça-feira (3).

Claudinei começou mencionando uma viagem do prefeito a Brasília, no mês passado. Segundo o parlamentar, o chefe do Executivo esteve em uma lanchonete e publicou uma enquete nas redes sociais, para que as pessoas votassem se ele deveria comer um pão com linguiça ou uma coxinha.

“Votei, é claro, no pão com linguiça, sabendo do passado do prefeito, que é meu contemporâneo. Votei porque, desde criança, conheço o prefeito e sei como ele gosta, sempre gostou da linguiça, sempre foi chegado, literalmente falando, na linguiça, né, prefeito? Então, não teve como eu não votar no pão com linguiça, né? O que me admirou, nos seus mais de 50 anos, (foi) continuar gostando da linguiça, e não só da linguiça, como da cenoura, por isso que chama Lucas Coelho, né?”, afirmou.

Depois, o vereador falou de “insatisfação” com o prefeito e disse que ele vem fazendo “ataques covardes” contra os parlamentares.

A Corregedoria da Câmara Municipal emitiu uma nota, na noite desta quarta-feira (4), contra o posicionamento homofóbico de Claudinei. Segundo o corregedor, o vereador Fúlvio Avalonny Ratto Brandão (Avante), o parlamentar precisa ser “severamente repreendido”.

“Usar de ataques pessoais e discurso homofóbico como instrumento para ridicularizar um homem público, ou qualquer ser humano, é inaceitável, principalmente se este discurso de ódio for proferido na tribuna da casa legislativa. O vereador, em meu entendimento, cometeu um crime e uma desonra a esta casa. Espero que os pares entendam que ele precisará ser severamente repreendido na esfera legislativa, bem como também pelas outras instituições de justiça”, diz a nota, assinada pelo vereador Fúlvio Avalonny Ratto Brandão (Avante), corregedor da Câmara.

Em junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu em favor da criminalização da homofobia e da transfobia. Desde então, essas condutas passaram a ser enquadradas como crime de racismo.

O presidente da Câmara Municipal, Diêmerson Porto (Republicanos), disse que está se reunindo com os demais vereadores e a assessoria jurídica da Casa para discutir as providências a serem adotadas em relação às falas homofóbicas do vereador.

“Cabe a cada vereador no uso da tribuna se responsabilizar pelos seus atos, atitudes e, principalmente, falas e posicionamento”, afirmou.

Em nota, o prefeito Lucas Coelho lamentou o ocorrido e chamou a fala de Claudinei de “caluniosa” e “preconceituosa”.

“Em um momento de tamanha intolerância que vivemos no país, a atitude do parlamentar é um mau exemplo de conduta e respeito. Certamente, não foi com este objetivo que uma parcela da população caeteense o elegeu para exercer o seu mandato, tampouco penso que a tribuna de uma Câmara Municipal, onde políticos tão importantes na história da nossa cidade já se manifestaram em defesa do povo, deva ser utilizada desta forma. Com tal ato, o vereador cometeu o crime de homofobia e não ofendeu somente a mim, mas a todos os caeteenses”, disse.

O partido do vereador, Cidadania, também se pronunciou, dizendo que “não compactua com qualquer ato de homofobia, discriminação ou desrespeito de qualquer tipo”.

“Os valores do partido são de respeito e acolhimento. Inclusive, a ação julgada no Supremo Tribunal Federal, que criminalizou a homofobia, ocorrida em 2019, equiparando as práticas de homofobia e trans fobia ao crime de racismo, foi proposta pelo Cidadania. No atual momento vivido em nosso país, de intolerância e preconceito, só podemos aceitar o respeito”, disse a legenda, em comunicado.

VEJA A NOTICIA NO SITE G1

COM A PALAVRA O COLUNISTA

VASCÃO DO PASTEL

Que vergonha eu sinto daquilo que saiu da boca de um parlamentar de Caeté!

“Gostar de linguiça, cenoura … qual a relação “porca” passa pela cabeça desse senhor? O que ele imagina de sórdido e quem lhe dá o direito de discriminar alguém dessa forma?

Sugiro que a câmara disponibilize nas próximas reuniões rolos de papel higiênico para que o dito vereador possa limpar a boca depois de se manifestar.

E só para concluir, senhor parlamentar, quando alguém é “denominado” coxinha não é uma indicação de estar ou não gordo. Coxinha é um termo pejorativo brasileiro, usado como gíria, e que serve para descrever uma pessoa “certinha”, “arrumadinha”. Aponta-se, também, o coxinha como aquele que se opõe com vigor a ideias políticas ou econômicas consideradas de esquerda. … Sua contraparte é o termo mortadela.

Estude senhor vereador! Estude e não me faça sentir novamente vergonha daquilo que você fala!

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